foto redes sociais
por A.Almeida
Uma data histórica transformada em campo de disputas políticas
O 7 de Setembro, dia em que se celebra a Independência do Brasil, nasceu como um marco de unidade nacional e civismo. Durante décadas, foi lembrado com desfiles escolares e militares que reuniam famílias em todo o país. Contudo, nos últimos anos, a data deixou de ser uma celebração da história e passou a refletir a profunda divisão política que marca o cenário brasileiro.
As primeiras celebrações aconteceram em 1823, ainda no Império, como forma de consolidar a memória da ruptura com Portugal. Ao longo do tempo, o feriado foi reforçado por governos que viam na data uma oportunidade de exaltar a pátria, a ordem e a unidade.
Especial destaque foi dado em 1922, no centenário da Independência, quando desfiles e eventos culturais ganharam força como símbolos da brasilidade. Até os anos 1990, o 7 de Setembro ainda era marcado pela presença de escolas e pela participação popular em clima de festa cívica.
A mudança de significado nos últimos anos
O cenário começou a mudar no início da década. Sob o governo de Jair Bolsonaro, a data foi transformada em ato político de mobilização de apoiadores. Bandeiras, hinos e as cores verde e amarela, antes símbolos de todos, passaram a ser associados a um campo ideológico específico.
Enquanto isso, movimentos sociais mantiveram o Grito dos Excluídos, manifestação que acontece desde 1995 e que busca chamar atenção para desigualdade, pobreza e exclusão social. Assim, o 7 de Setembro se tornou uma data com dois sentidos distintos, cada qual apropriado por setores opostos da sociedade.
Neste ano, a divisão ficou ainda mais clara.
- Do lado da esquerda, o governo federal e aliados realizaram atos em defesa da democracia e da soberania nacional. O desfile cívico em Brasília adotou como lema “Brasil soberano”, reforçando o discurso oficial.
- Do lado da direita, grupos ligados ao bolsonarismo organizaram mais de 50 manifestações em todo o país. As pautas incluíram pedidos de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e críticas ao Supremo Tribunal Federal. Vestindo verde e amarelo, esses grupos buscaram reafirmar sua leitura de patriotismo.
Para analistas políticos, a apropriação dos símbolos da pátria por campos ideológicos distintos gera uma “contaminação simbólica”, na qual a bandeira e o hino deixam de ser representações coletivas.
Segundo os cientistas políticos, o 7 de Setembro hoje se assemelha a um “comício eleitoral simbólico”, no qual cada grupo testa sua força e projeta narrativas para disputas futuras.
O grande desafio para o futuro será reconstruir o caráter unificador do 7 de Setembro. Para estudiosos, é preciso recuperar o simbolismo original da data como celebração da independência e da identidade nacional,
Sem isso, o risco é que o Dia da Independência continue a ser lembrado por seus confrontos ideológicos que pelo seu significado histórico.


