Fato Verdade

Safra de grãos da Bahia bate recorde em 2025, mas IBGE projeta queda para 2026

Safra de grãos da Bahia bate recorde em 2025, mas IBGE projeta queda para 2026

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia


Por Livia Veiga

A safra de grãos da Bahia em 2025 alcançou um novo recorde histórico e consolidou o estado entre os principais produtores do país. De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção baiana de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou a 12.839.577 toneladas, volume 12,8% superior ao registrado em 2024, quando o estado produziu 11.381.095 toneladas.

O resultado estabelece o maior patamar da série histórica do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo instituto desde 1972. O crescimento representa um acréscimo de 1.458.482 toneladas em relação ao ano anterior e reflete o desempenho positivo da maioria das culturas investigadas. Em dezembro, a estimativa foi mantida frente à previsão de novembro, confirmando o avanço em 18 das 26 safras acompanhadas na Bahia em 2025.

No ranking nacional, a Bahia aparece como o sétimo maior produtor de grãos do país, respondendo por 3,7% da produção brasileira. Mato Grosso segue na liderança, com 32,0% do total, seguido por Paraná (13,5%) e Goiás (11,3%). Em nível nacional, a safra de grãos de 2025 também foi recorde, com 346,1 milhões de toneladas, volume 18,2% maior que o colhido em 2024.

O desempenho de 2025 marca um ponto de inflexão na agricultura brasileira. Até 2022, o país nunca havia ultrapassado a marca de 300 milhões de toneladas de grãos, patamar atingido pela primeira vez em 2023. Em 2024, a produção recuou para 292,7 milhões de toneladas, impactada, entre outros fatores, pela crise climática no Rio Grande do Sul. Já em 2025, o setor reagiu e estabeleceu um novo recorde.

Entre as culturas que mais impulsionaram o resultado baiano, a soja se destacou com crescimento absoluto de 1.074.090 toneladas, alta de 14,3% em relação ao ano anterior. A cana-de-açúcar também apresentou forte avanço, com aumento de 699 mil toneladas, assim como o milho da 1ª safra, que cresceu 380.910 toneladas, elevação de 24,6%. Apesar do desempenho positivo no conjunto da produção, algumas culturas registraram retração. O tomate liderou as quedas absolutas, com redução de 171.301 toneladas, seguido pelo feijão da 1ª safra, que recuou 50.700 toneladas, e pelo sorgo, com queda de 18.510 toneladas. Os dados refletem o comportamento desigual das culturas ao longo do ciclo agrícola.

Em escala nacional, 2025 também foi marcado por recordes nas produções de soja, milho, algodão, sorgo e café do tipo canephora. A área colhida no país chegou a 81,6 milhões de hectares, aumento de 3,2% frente a 2024, impulsionada principalmente pelos acréscimos nas áreas de algodão, arroz, soja, milho e sorgo.

Segundo o gerente de Agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, o crescimento da produção, mesmo com avanço mais moderado da área plantada, reflete ganhos estruturais de produtividade. “Os ganhos de produtividade das lavouras são fruto de anos de trabalho de pesquisa de instituições como a Embrapa, que desenvolveu variedades adaptadas aos diversos biomas brasileiros”, afirmou.

Ele acrescenta que esses resultados também se devem às decisões dos produtores de investir em tecnologia. “Esses ganhos também se devem às decisões dos produtores rurais, de investirem cada vez mais em tecnologias avançadas, visando alcançar o máximo do potencial produtivo das plantas”, ressaltou. Guedes observa ainda que o recorde de 2025 foi fortemente influenciado pelas condições climáticas favoráveis ao longo do ano.

“O recorde de 2025 se deveu, principalmente, às performances da soja, do milho e do algodão, devido às condições climáticas bastante favoráveis”, completou. O desempenho dessas culturas foi decisivo para sustentar o avanço da produção nacional e estadual, mesmo em um cenário de instabilidade em outras regiões.

O cenário, no entanto, traz um sinal de alerta para o próximo ciclo. O terceiro prognóstico do IBGE para a safra de 2026 indica que a produção de grãos na Bahia deverá recuar 4,7% em relação ao recorde de 2025. A estimativa é de que o estado produza 12.235.097 toneladas no próximo ano, interrompendo a sequência de crescimento.

Principal produto agrícola da Bahia, a soja deve ter queda de 5,7% em 2026, com produção estimada em 8.114.659 toneladas. A retração está associada, principalmente, à redução de 5,8% na área plantada. Já o algodão herbáceo deverá recuar 17,5%, embora a Bahia siga como o segundo maior produtor do país, concentrando 16,7% da produção nacional. No caso do milho, o cenário é misto.

A expectativa é de crescimento de 8,1% na 1ª safra, enquanto a 2ª safra deve registrar queda de 11,5%. Ainda de acordo com o IBGE, 15 das 26 safras investigadas na Bahia deverão apresentar crescimento em 2026, com destaque para milho da 1ª safra, feijão da 1ª safra e cacau. Para o secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia, Pablo Barrozo, os números reforçam o protagonismo do estado no cenário nacional. “A previsão do IBGE, com aumento da produção em 15 das 26 safras, reflete o trabalho contínuo de fortalecimento da agricultura baiana. Esses resultados são fruto de investimentos, inovação e apoio aos produtores rurais”, afirmou.

Em âmbito nacional, o terceiro prognóstico para 2026 aponta uma produção de 339,8 milhões de toneladas de grãos, 1,8% menor que o recorde de 2025, mas ainda a segunda maior da série histórica. O cenário se dá em meio à vigência do Plano Safra 2025/2026, anunciado com R$ 516,2 bilhões em recursos, voltados à ampliação do crédito rural, incentivo à produção sustentável e fortalecimento da infraestrutura no campo.

administrator

Related Articles

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *