Foto: UN Photo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado por Donald Trump para compor o “Conselho de Paz” para Gaza. O convite, que foi confirmado pelo Itamaraty, foi recebido pelo brasileiro através da Embaixada do Brasil em Washington.
Ainda não há informações sobre se Lula aceitará participar do conselho, mas o convite marca mais uma etapa da retomada de relações entre Brasil e Estados Unidos, após a retirada de parte das tarifas impostas por Trump para a importação de produtos brasileiros pelos EUA.
Além de Lula, teriam sido convidados a participar do “Conselho de Paz”:
o presidente argentino Javier Milei;
Haverá também um “Conselho Executivo fundador” e um “Conselho Executivo de Gaza”, responsável por supervisionar todo o trabalho em campo de outro grupo administrativo, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), encarregado da governança temporária de Gaza e sua reconstrução. Trump atuará como presidente do Conselho de Paz, que faz parte de seu plano de 20 pontos para encerrar a guerra entre Israel e o Hamas.
Espera-se que o Conselho da Paz fique acima dos demais órgãos executivos e seja composto por diversos líderes mundiais.
Nenhuma mulher e nenhum palestino foram anunciados até o momento para o grupo, mas a Casa Branca afirmou que membros adicionais serão anunciados nas próximas semanas. Segundo informações divulgadas pela Bloomberg e pela Reuters, Trump propõe que os países convidados paguem US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões) caso queiram permanecer no conselho.
“Cada Estado-Membro cumprirá um mandato não superior a três anos a partir da entrada em vigor desta carta, podendo ser renovado pelo presidente [Trump]”, diz um documento do governo dos EUA, ao qual as agências de notícia tiveram acesso.
“O período de adesão de três anos não se aplica aos Estados-Membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em fundos em espécie para o Conselho da Paz durante o primeiro ano de entrada em vigor da carta”, complementa o texto.
O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair era há muito tempo cotado como um potencial membro do conselho de Trump para gaza, com o presidente dos EUA confirmando em setembro que ele havia manifestado interesse em integrar o grupo.
O ex-líder do Partido Trabalhista britânico foi primeiro-ministro do Reino Unido de 1997 a 2007 e levou o país à Guerra do Iraque em 2003, uma decisão que pode fazer com que alguns considerem sua presença no conselho controversa.
Após deixar o cargo, ele atuou como enviado para o Oriente Médio do Quarteto de potências internacionais — Nações Unidas, União Europeia, EUA e Rússia — de 2007 a 2015.
Como Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio é fundamental para a abordagem da administração Trump em relação à política externa.
Antes do retorno de Trump ao cargo, Rubio havia se manifestado contra um cessar-fogo em Gaza, afirmando que queria que Israel “destruísse todos os elementos do Hamas que conseguisse alcançar”.
O enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, magnata do setor imobiliário e parceiro de golfe de Trump, também fará parte do Conselho Executivo de Gaza.
No início deste mês, Witkoff anunciou o início da segunda fase do plano de Trump para acabar com a guerra em Gaza, acrescentando que ela contemplaria a reconstrução e a desmilitarização completa de Gaza, incluindo o desarmamento do Hamas.
Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, também desempenhou um papel fundamental nas negociações de política externa do governo Trump.
Ao lado de Witkoff, Kushner frequentemente atuou como mediador dos EUA nas guerras entre Rússia e Ucrânia e entre Israel e Gaza, e agora também fará parte do Conselho Executivo de Gaza.
O bilionário Marc Rowan é o CEO da Apollo Global Management, uma grande empresa de private equity — tipo de empresa especializada na compra de participações em empresas privadas — com sede em Nova York.
Rowan era visto como um possível candidato a secretário do Tesouro dos EUA para o segundo mandato de Trump.
Ajay Banga, presidente do Banco Mundial, assessorou diversos políticos americanos de alto escalão, incluindo o presidente Barack Obama, durante sua longa carreira.
Nascido na Índia em 1959, Banga tornou-se cidadão americano em 2007 e, posteriormente, atuou como CEO da Mastercard por mais de uma década.
O ex-presidente dos EUA, Joe Biden, o indicou para liderar o Banco Mundial em 2023.
Robert Gabriel, conselheiro de segurança nacional dos EUA, será o último membro do “conselho executivo fundador”.
Gabriel trabalha com Trump desde sua campanha presidencial de 2016, pouco depois da qual, segundo a PBS, tornou-se assistente especial de Stephen Miller, outro dos principais conselheiros atuais de Trump.
Embora não faça parte do Conselho Executivo, Nickolay Mladenov, político búlgaro e ex-enviado das Nações Unidas para o Oriente Médio, será o diretor-geral do Conselho da Paz em Gaza, segundo informou a Casa Branca.
Ele integrará o Conselho Executivo de Gaza e supervisionará um comitê tecnocrático palestino independente, composto por 15 membros, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), encarregado de gerenciar a governança cotidiana da Gaza pós-guerra.
Por Claire Keenan e Thais Carrança/BBC News e da BBC News Brasil


