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Cesta básica sobe 1,13% em Salvador no início de 2026 e passa a custar R$ 579,08

Cesta básica sobe 1,13% em Salvador no início de 2026 e passa a custar R$ 579,08

Foto: Romildo de Jesus

Por Livia Veiga

A Cesta Básica de Salvador iniciou o ano de 2026 em alta: de acordo com levantamento da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), o custo médio dos 25 produtos que compõem a cesta registrou elevação de 1,13% em janeiro, passando a custar R$ 579,08. O aumento representa um acréscimo nominal de R$ 6,48 em relação a dezembro de 2025 e reflete, principalmente, pressões climáticas e oscilações na oferta de alimentos essenciais.

O cálculo foi realizado com base em 3.440 cotações de preços coletadas em 92 estabelecimentos comerciais de Salvador, entre supermercados, açougues, padarias e feiras livres. Do total de itens pesquisados, 11 apresentaram alta nos preços, enquanto 14 registraram queda no período.

Entre os produtos que mais encareceram no mês estão o tomate, com alta expressiva de 23,91%, seguido da linguiça calabresa (9,99%), batata inglesa (7,64%), feijão (7,25%), frango (6,51%), maçã (6,48%) e cenoura (6,32%). Também tiveram reajustes a farinha de mandioca (5,45%), o pão francês (2,06%), a carne de segunda (1,61%) e a manteiga (1,47%).

Segundo o economista da SEI, Denilson Lima, os fatores climáticos e os desequilíbrios na oferta foram determinantes para o comportamento dos preços no período. “Os movimentos da oferta e as condições climáticas adversas exerceram pressão sobre os preços dos alimentos e influenciaram o resultado final do custo da Cesta Básica de Salvador, que apresentou alta em janeiro”, afirmou.

Lima destacou que o tomate foi um dos principais responsáveis pelo aumento da cesta no mês. “O tomate começou janeiro com uma oferta abundante, mas com a qualidade do fruto ruim. Na segunda metade do mês, as pragas e a redução da colheita nas regiões produtoras causaram escassez”, explicou.

Na contramão das altas, produtos amplamente consumidos pelas famílias soteropolitanas apresentaram redução de preços. A cebola liderou as quedas, com recuo de 12,44%, seguida pelos ovos de galinha (-9,62%), flocão de milho (-9,38%), óleo de soja (-7,61%) e banana prata (-5,79%). Também ficaram mais baratos itens como carne de sertão, açúcar cristal, queijos, café moído, arroz, leite e macarrão.

Sobre o comportamento do preço dos ovos, o especialista ressaltou que a queda está associada ao excesso de oferta no mercado. “O ovo apresentou uma queda de 9,62% em janeiro em razão do excesso de oferta. Entretanto, de acordo com agentes que representam este segmento produtivo, há uma expectativa de maior demanda no período da Quaresma que pode alterar esse cenário em um futuro próximo”, pontuou. O economista acrescentou que cerca de 99% da produção nacional do ovo de galinha é destinada ao consumo interno, evidenciando a importância dessa proteína na alimentação das famílias brasileiras.

A análise da SEI também aponta que o conjunto de alimentos tradicionalmente associados ao almoço do soteropolitano — composto por feijão, arroz, carnes, farinha de mandioca, tomate e cebola — apresentou alta de 3,48% em janeiro e respondeu por 33,74% do valor total da cesta. Já o subgrupo de produtos consumidos no café da manhã, como pão, leite, café, açúcar, manteiga, queijos e flocão de milho, teve variação praticamente estável, com leve aumento de 0,04%, representando 35,13% do custo total. Mesmo com o aumento do preço da cesta básica, o comprometimento da renda do trabalhador apresentou recuo. Em janeiro de 2026, o tempo médio de trabalho necessário para adquirir a cesta foi de 84 horas e 57 minutos, o equivalente a 38,62% do salário-mínimo líquido, fixado em R$ 1.499,43 após o desconto da contribuição previdenciária.

De acordo com Denilson Lima, essa redução está relacionada ao reajuste do salário-mínimo vigente no início do ano. O economista destaca que, apesar da alta no custo dos alimentos, o ganho real no rendimento ajudou a atenuar o impacto sobre o orçamento das famílias.

Para donas de casa e consumidores, no entanto, o aumento segue sendo sentido no dia a dia. Produtos básicos como tomate, feijão e pão francês, presentes em praticamente todas as refeições, pressionam o orçamento doméstico e exigem adaptações constantes nas compras mensais. “O mês de janeiro é complicado. A gente tem material escolar, IPVA, férias de filho. Fica difícil lidar com qualquer aumento que seja no supermercado”, desabafou a auxiliar de enfermagem, Letícia Souza. E, de acordo com as estimativas da SEI, parece que o cenário não vai mudar, pois a expectativa é que os próximos meses continuem refletindo a influência do clima e do comportamento da oferta sobre os preços, especialmente em itens in natura.

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