
Manifestação ocorre três dias após a assembleia da federação decidir pela destituição do empresário do cargo. Em nota, entidade afirma que Gomes ‘está no exercício pleno de suas funções’. O empresário Josué Gomes da Silva, atual presidente da Fiesp, no Senado, em imagem de julho de 2019
Geraldo Magela/ Agência Senado
A presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) está envolta em um imbróglio há uma semana, quando uma assembleia da entidade aprovou a destituição de Josué Gomes como presidente. Nesta segunda (23), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) enviou uma carta à entidade paulista uma carta em apoio à permanência de Gomes no cargo.
No documento, o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade diz que “manifesta apoio irrestrito e incondicional” ao empresário, que apoia o “processo democrático” das escolhas de líderes de entidades e que a “indústria nacional tem pressa na reindustrialização do Brasil”.
“Como já manifestado em posicionamentos anteriores, a CNI respeita o estado democrático de direito, e os processos legais de escolhas de presidentes e de líderes para cumprir, pelo voto, a vontade da maioria”, diz.
“A CNI reconhece que o empresário Josué Gomes da Silva, presidente eleito da Fiesp, tem papel estratégico na condução dessa agenda positiva. Ele tem toda a capacidade, além do respeito e do reconhecimento de seus pares, para trabalhar e elevar o potencial das indústrias paulistas e do Brasil ao patamar desejável para o crescimento e para o desenvolvimento do país”, conclui Andrade.
Na última quinta (19), depois de muita confusão, a própria Fiesp emitiu uma nota reconhecendo Gomes como presidente.
A manifestação ocorreu três dias após a assembleia decidir pela destituição do empresário do cargo. A decisão, no entanto, não foi reconhecida pela defesa de Gomes, que alegou falta de quórum e de consenso.
Início da confusão
A assembleia teve clima acalorado. Segundo relatos de participantes, na primeira etapa da reunião, após as 14h30, Josué Gomes defendeu pontos de sua gestão.
Uma primeira votação foi feita para definir se o conselho iria aceitar ou não as alegações de defesa dele. Dos cerca de 90 votantes, 60 foram contrários aos apontamentos do presidente e 24, favoráveis.
Segundo relatos, após nova tentativa dos participantes de colocar sua destituição em votação, Josué decidiu encerrar a primeira sessão, após as 19h.
Na sequência, os representantes que permaneceram em assembleia decidiram abrir uma segunda sessão – previamente marcada para o mesmo dia. Essa, no entanto, não contou com a presença do presidente, que se retirou.
Nesse momento, foi realizada a votação pela destituição, já com menos participantes. Foram 47 votos a favor do afastamento de Josué, um voto contra e duas abstenções.
Ato em defesa de Gomes
Na noite de quarta-feira (18), integrantes do comitê que organizou o ato pela democracia realizado em 11 de agosto do ano passado publicaram uma nota de solidariedade a Josué Gomes.
No texto, os membros do comitê pró-democracia manifestaram “indignação com a insidiosa tentativa de afastamento de Josué Gomes”, que teria sido “perpetrada por alguns representantes de sindicatos patronais da entidade”.
Durante a votação de afastamento de Gomes, uma parte dos representantes de sindicatos manifestou descontentamento sobre o apoio do então presidente ao ato de 11 de agosto.
“Causa particular repulsa o fato de que pese contra a permanência de Josué Gomes na presidência da instituição o seu apoio ao ‘Manifesto em Defesa da Democracia e da Justiça’, organizado por este Comitê, e lido no dia 11 de agosto de 2022, no Salão Nobre da Faculdade de Direito do Largo São Francisco”, diz trecho da nota.
O grupo afirmou que “a participação de Josué Gomes na defesa da democracia foi essencial para que as eleições de 2022 ocorressem dentro da normalidade, devendo ser motivo de orgulho para a classe empresarial brasileira”.
Assinam o documento:
o diretor da Faculdade de Direito da USP, Celso Campilongo
a vice-diretora da Faculdade de Direito da USP, Ana Elisa Bechara
o economista Arminio Fraga
o sociólogo Caio Magri
o sociólogo Clemente Ganz Lúcio
o líder sindical João Carlos Gonçalves, o Juruna
a socióloga Neca Setubal
o jurista Oscar Vilhena Vieira
o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah


