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Compadrio, poder e o STF: quando a lei deixa de ser limite

Compadrio, poder e o STF: quando a lei deixa de ser limite

Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

Por Fernando Schüler

Há um vezo patrimonialista nisso tudo. O banqueiro que contrata o ex-ministro da Fazenda e com isso emplaca um encontro fora da agenda com o presidente. Depois contrata o escritório da esposa de um ministro. E logo adiante o escritório de um segundo ministro, para “serviços jurídicos estratégicos”.
Isso é a grande festa do compadrio brasileiro, movida a jatinhos, charutos, resorts e eventos de luxo. Alguma ilegalidade nisso tudo? De um interlocutor escutei que “não”. E seu raciocínio era cristalino: são os ministros que dizem o que é legal ou ilegal. Valia para a instância devida e para a censura prévia, lembram? Porque não valeria agora para uso de jatinhos e conflito de interesses?

Observando estas coisas me lembrei de quantas vezes escutamos, nestes anos todos, que a justiça era “cega, mas não tola”. Isso valeu para quase tudo. A moça do batom rabiscando naquela estátua; o dossiê do PL sobre as urnas; aquela turma de empresários no WhatsApp. Apenas um papo-furado? Ora, ora, a Justiça é cega, mas não é tola… Agora tudo se inverteu? A esposa do ministro surge com um contrato de R$ 129 milhões e o marido vai julgar o caso. Os irmãos do relator têm negócios com o investigado.

Algum problema? Nenhum. Se aceitamos lá atrás a regra de que é a autoridade que subordina a lei, e não o contrário, porque deveríamos reclamar, justo agora?

Haveria uma saída, para tudo isso? A resposta veio do ministro Fachin. “Quem tenta desmoralizar o STF”, diz ele, “está atacando o próprio coração da democracia…”. Já escutamos isso em algum lugar. A lógica é: se você critica o STF, “corrói sua autoridade”. E com isso “ataca a democracia”. Perfeito. Se alguém quiser ajudar a democracia, jamais critique o STF. É algo ridículo, mas durante anos foi a pedra de toque de nossa elite e “mídia profissional”.

Fonte: Estadão

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