Crise na Capes: mais três coordenadores e 31 consultores pedem demissão

Crise na Capes: mais três coordenadores e 31 consultores pedem demissão


Agora, foram profissionais da área de engenharias que pediram o desligamento. Até agora, 114 pesquisadores pediram demissão. Sede da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em Brasília
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Mais três coordenadores e 31 consultores da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), renunciaram a suas funções na entidade nesta terça-feira (7). Agora, são 114 demissionários no total.
Os coordenadores era da área de Engenharia Aeroespacial, Engenharia Mecânica, Engenharia Naval e Oceânica e Engenharia de Produção. Os consultores eram designados para a avaliação dos programas de pós-graduação no ciclo 2017-2020.
No começo de dezembro, outros três coordenadores e mais 25 consultores pediram o desligamento. Antes, no final de novembro, outros 52 pesquisadores das áreas de Matemática e Física já tinham deixado seus cargos.
Ligado ao Ministério da Educação (MEC), o órgão é responsável por avaliar os programas de pós-graduação de mestrado e doutorado do país, autorizando ou não o seu funcionamento.
Em carta, eles alegam que “não há condições, neste momento, de se produzir uma avaliação dos programas de pós-graduação com a qualidade necessária para o cumprimento de seu papel de orientadora das políticas públicas para o desenvolvimento da pós-graduação brasileira” pois entendem que “a decisão da justiça proferida, em 2 de dezembro, não foi pela cassação da liminar, mas apenas por sua reformulação, uma vez que ela permite a retomada dos trabalhos de avaliação, mas proíbe a publicação dos resultados até que a justiça se pronuncie sobre o mérito da ação”.
“A falta de garantia de que o resultado da avaliação será tornado público fere os princípios da transparência e do respeito à comunidade acadêmica, que sempre nortearam os trabalhos desta Comissão. A Comissão não vê como justificável o investimento de recursos públicos escassos e, principalmente, do trabalho intenso de 35 cientistas da área das Engenharias III, em tempo quase integral ao longo dos próximos quatro meses, neste cenário de incerteza.”
O trabalho dos coordenadores e consultores na Capes é voluntário. Eles são professores ligados a alguma instituição de ensino e que cumprem à parte funções na entidade.
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Coordenadores demissionários da área de Engenharia
Edgar Nobuo Mamiya
Ana Paula Cabral Seixas Costa
Osmar Possamai
Consultores área de Engenharia
Ana Paula Henriques Gusmão de Araújo Lima
Carlos José de Araújo
Celso Kazuyuki Morooka
Cristiano Alexandre Virginio Cavalcante
Cristina Gomes de Souza
Domingos Alves Rade
Eduardo Fancello
Emanuel Negrão Macedo
Flavio Trojan
Francis Henrique Ramos França
Gherhardt Ribatski
Horacio Hideki Yanasse
João Roberto Ferreira
José Alexander Araujo
José Roberto de França Arruda
Juliana Braga Rodrigues Loureiro
Leandro Alcoforado Sphaier
Leandro dos Santos Coelho
Leonardo Silva de Lima
Louriel Oliveira Vilarinho
Luiz Felipe Roris Rodriguez Scavarda do Carmo
Luiz Machado
Marcelo Nogueira Cortimiglia
Marcelo Seido Nagano
Marcio da Silveira Carvalho
Marko Ackermann
Raúl González Lima
Reinaldo Morabito
Rigoberto Eleazar Melgarejo Morales
Salete Martins Alves
Theodoro Antoun Netto
Avaliação quadrienal paralisada e fim de mandato
Em 22 de setembro, o Ministério Público Federal (MPF) conseguiu uma liminar concedida pela Justiça Federal que suspendia imediatamente a avaliação quadrienal dos programas de pós stricto sensu (mestrado e doutorado) em andamento.
O MPF argumenta que apurou ilícitos nos critérios adotados pela Capes no ranqueamento dos programas de pós no Brasil e nas normas usadas para a concessão de bolsas.
A Procuradoria pediu ainda que a Capes apresentasse, em 30 dias, a relação completa dos “critérios de avaliação”, “tipos de produção/estratos” e as “notas de corte” utilizados para avaliar os cursos.
De acordo com os pesquisadores das áreas de Matemática e Física ouvidos pelo g1, a entidade não entrou com recurso no tempo hábil e se manifestou apenas cerca de dois meses após a liminar passar a valer, mantendo o processo avaliatório paralisado nesse período.
Diante desse cenário, os demissionários afirmam que as avaliações que estavam sendo feitas pelos coordenadores e consultores não serão finalizadas antes do final do mandato quadrienal atual, previsto para acabar entre o final de abril e começo de maio de 2022.

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