Queda do investimento estrangeiro, casos de corrupção, protestos populares e preocupação ambiental são algumas das razões da situação do país
A crise política e a queda da produção de petróleo pioraram rapidamente as perspectivas econômicas recentes do Equador, país que tem uma economia altamente informal e é muito dependente da exportação de bananas e petróleo.
E, desde a pandemia, os indicadores de pobreza pioraram rapidamente, e não voltaram ao pré-pandemia.
No fim do ano passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) piorou todas as previsões para a economia equatoriana. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023 caiu pela metade, de 2,9% para 1,4%. Para 2024, a expectativa também recuou de 2,8% para 1,8%.
“A produção de petróleo foi inferior ao esperado. E a segurança e a incerteza política também pesaram sobre a atividade econômica. Qual deles é mais importante? É impossível dizer nesta fase, mas esses dois estão pesando, o que é importante”, disse em outubro do ano passado o diretor para o hemisfério ocidental do Fundo Monetário Internacional, Rodrigo Valdes.
Depois do pico visto há uma década, a produção de petróleo do Equador tem entrado em declínio por uma combinação de problemas.
Queda do investimento estrangeiro, casos de corrupção, protestos populares e preocupação ambiental são algumas das razões da queda da produção da commodity no país nos últimos anos.
O pano de fundo desse declínio, porém, é atribuído à crise política que chegou ao pico nas últimas horas. A instabilidade política — que é observada há anos — tem afugentado investidores internacionais, o que reduziu a capacidade de expansão e modernização da indústria local.
Para piorar o quadro já negativo, o FMI demonstra preocupação adicional com os efeitos das mudanças climáticas no país.
“Temos ainda de acrescentar o El Niño. O El Niño é um fenômeno que afeta positivamente alguns países e negativamente outros. No lado negativo, vários países da América do Sul, em particular o Equador e Peru, por exemplo, estão particularmente expostos a isso”, disse o diretor do FMI.
Em situações de menor crescimento econômico, governos podem usar o dinheiro público para tentar incentivar a atividade. No Equador, porém, há um outro problema: a dolarização adotada em 2000.
“Sobre usar reservas para aumentar gastos do governo, temos de ter muito cuidado com as economias dolarizadas porque é preciso manter reservas no Banco Central para que as pessoas tenham confiança que os depósitos, que estão em dólares nos bancos, poderão ser retirados em caso de necessidade. Essa, no primeiro momento, não parece ser uma boa ideia”, disse Rodrigo Valdes.
A fraqueza da economia pode acentuar a situação de pobreza vivida atualmente pelo Equador. O país tem 27% da população classificada na pobreza, índice maior que os 25% observados em 2019 — antes da pandemia.
Esse indicador teve forte piora em 2020, primeiro ano da Covid-19, melhorou em 2021 e 2022, mas voltou a piorar no ano passado.
Fonte: CNN Brasil


