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Especialista vê disputa por petróleo e ouro por trás da crise na Venezuela

Especialista vê disputa por petróleo e ouro por trás da crise na Venezuela

Foto: Kimberly White/Getty Images

A ação militar que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, segue cercada de incertezas políticas e econômicas e acende um alerta para a segurança regional e o equilíbrio geopolítico mundial. A avaliação é do economista e professor universitário Rosevaldo Ferreira, que aponta interesses estratégicos dos Estados Unidos sobre as riquezas naturais venezuelanas e teme que o episódio incentive novas intervenções internacionais em outros territórios sensíveis, como Taiwan.

Segundo Rosevaldo, o cenário interno venezuelano é de instabilidade. “Ainda não temos uma posição clara sobre controle político e econômico. Houve praticamente um sequestro de um presidente, enquanto o Exército e as milícias venezuelanas continuam presentes”, afirmou.

Para o economista, um dos poucos pontos que já podem ser observados é a disputa pelo setor petrolífero.

“Tudo indica que o petróleo da Venezuela vai ser comandado pelos Estados Unidos”, avaliou. Ele citou a possibilidade de um acordo com a vice-presidente venezuelana, que assumiria o governo e abriria a exploração do petróleo para empresas norte-americanas.

“Se isso se confirmar, existe inclusive a perspectiva de queda no preço do barril, porque os Estados Unidos são grandes consumidores e têm interesse direto em controlar e baratear o produto”, explicou, ressaltando, no entanto, que o cenário ainda depende dos próximos desdobramentos políticos.

Rosevaldo Ferreira lembra que a economia venezuelana não se resume ao petróleo e é altamente dependente de commodities.

“A Venezuela é riquíssima em minerais. Todo mundo fala de petróleo, mas esquece que o país possui a segunda maior reserva mundial de ouro, além de bauxita e outros minérios estratégicos”, destacou.

Foto: Kimberly White/Getty Images

Para ele, embora o discurso internacional envolva democracia e estabilidade, o interesse central é econômico.

“Até o momento, me parece que o foco americano é o petróleo. Não é democracia, nem outra pauta; é interesse econômico”, afirmou.

Ação militar e precedentes perigosos

O professor pondera que a operação não configurou uma ocupação prolongada. “Houve uma ação militar pontual. O Exército americano entrou, prendeu Maduro e sua esposa e saiu, não houve ocupação do território”, explicou. Ainda assim, ele considera que o episódio abre um precedente preocupante.

“Pela primeira vez sentimos bombas de alta tecnologia tão perto. A guerra bateu no nosso quintal. A Venezuela faz fronteira com o Brasil, e isso é um risco enorme para a soberania regional”, alertou.

Na avaliação de Rosevaldo Ferreira, o episódio deve intensificar a disputa pela hegemonia mundial. Ele traça um paralelo com movimentos recentes da China em relação a Taiwan.

“A China já havia feito manobras militares fortes após a venda de armas americanas para Taiwan. Agora, os Estados Unidos dão uma resposta aqui na América do Sul, mostrando força e controle sobre reservas estratégicas”, analisou.

Para o economista, trata-se de uma nova fase de tensão internacional. “É uma briga pela hegemonia mundial e abre um novo capítulo nas relações internacionais”, disse.

Apesar da proximidade geográfica, Rosevaldo não acredita em uma intervenção militar direta no Brasil.

“O Brasil é um grande mercado consumidor mundial, com interesses de negócios muito fortes. Não vejo intervenção militar”, afirmou. No entanto, ele aponta outros riscos. “Pode haver interferência em outro nível, como no campo tecnológico ou até em processos eleitorais. Isso é algo que preocupa analistas e jornalistas”, completou.

O economista avalia que a crise venezuelana deve redesenhar o jogo de forças na região. “Essa ação vai provocar um novo equilíbrio, ou desequilíbrio, político e econômico na América do Sul. Agora é aguardar os próximos capítulos para entender até onde isso vai chegar”, concluiu.

*Com informações do repórter JP Miranda

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