Explosão de carro-bomba deixa 61 mortos e 51 feridos na Somália

Pelo menos 61 pessoas morreram e outras 51 ficaram feridas depois que um carro-bomba explodiu, na manhã deste sábado (28), na Somália. A explosão foi em um posto alfandegário, na fronteira da capital Mogadíscio com a cidade de Afgoye.

De acordo com fontes médicas ouvidas pelas agências internacionais, o número de mortos pode subir. As vítimas foram encaminhadas ao hospital Medina, na capital somali.

"Outros pacientes, familiares e até médicos, enfermeiros e funcionários do hospital foram acionados para doar sangue com urgência para ajudar as vítimas. A situação é ruim", disse o médico Yahye Ismai.

Entre os mortos estaria uma equipe de engenheiros turcos, que no momento da explosão realizava obras na estrada que liga Mogadíscio a Afgoye, e vários estudantes universitários que estavam dentro de um micro-ônibus que cruzava a fronteira. Testemunhas disseram que um carro pertencente aos engenheiros foi destruído instantaneamente na explosão.

A Turquia é um dos principais doadores da Somália desde a fome em 2011 e, juntamente com o governo do Qatar, está financiando uma série de projetos de infraestrutura e levando médicos ao país.

O ataque ocorreu às 8h (2h no horário de Brasília), quando um suposto homem-bomba explodiu seu veículo perto do posto de controle da fronteira, que também é um ponto de coleta de impostos para o governo, segundo Ali Abdi Ali Hoshow, funcionário do Ministério de Relações Exteriores.

Nenhum grupo terrorista assumiu a responsabilidade pelo ataque, embora o grupo jihadista Al Shabab tenha se posicionado contra a construção da estrada entre as duas cidades.

Após o som de uma enorme explosão no posto de controle, Sabdow Ali, de 55 anos, que mora nas proximidades, disse que saiu de casa e contou pelo menos 13 pessoas mortas. "Dezenas de feridos estavam gritando por socorro, mas a polícia imediatamente abriu fogo e eu corri de volta para minha casa", disse ele à Reuters.

Os feridos foram transportados para o Hospital Medina, onde uma testemunha da Reuters viu dezenas chegando de ambulância do local.

Em entrevista a repórteres no local da explosão, o prefeito de Mogadíscio, Omar Muhamoud, disse que o governo confirmou que pelo menos 90 civis, a maioria estudantes, foram feridos na explosão.

Familiares choravam do lado de fora do hospital, enquanto procuravam informações sobre o estado de saúde de seus parentes.

 

Lealdade ao Al Qaeda

 

Mogadíscio sofre frequentemente com ataques da Al Shabab, uma organização terrorista que ingressou na rede internacional da Al Qaeda em 2012 e controla parte do centro e sul da Somália, onde aspira estabelecer um estado islâmico da corte Wahhabi (ultraconservadora).

O ataque mais mortal atribuído ao Al Shabab foi em outubro de 2017, quando um caminhão carregado de bombas explodiu ao lado de um tanque de combustível em Mogadíscio, criando uma tempestade de fogo que matou quase 600 pessoas.