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Jerônimo completa 3 anos entre desafios e articulações para 2026

Jerônimo completa 3 anos entre desafios e articulações para 2026

Foto: Reprodução


Por Mateus Soares

Três anos após assumir o governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) chega a um ponto de equilíbrio entre a solidez de sua base política e a antecipação do debate eleitoral de 2026. Embora conte com apoio majoritário nos municípios, o governador aparece atrás do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, vice-presidente nacional do União Brasil, nos levantamentos de intenção de voto divulgados.

Uma pesquisa do instituto Quaest, publicada em agosto, por exemplo, mostra ACM Neto com 41% das intenções, contra 34% de Jerônimo. O desempenho nas pesquisas contrasta com a força territorial do grupo governista. Em recente entrevista à Folha de São Paulo, na última semana do ano passado, o petista afirmou que, enquanto a oposição avança nos números, sua base cresce “nas urnas”, ao mencionar o controle político nos municípios.

O governador avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vive um momento eleitoral mais favorável do que em 2022 e aposta na influência do chefe do Executivo na Bahia. Para Jerônimo, a eleição estadual permanece diretamente vinculada à disputa presidencial, tanto na narrativa política quanto na estratégia adotada pelo grupo.
No campo das articulações, o petista trabalha para estruturar uma chapa majoritária com protagonismo do PT e a presença de dois ex-governadores da Bahia com interesse no Senado em 2026: Jaques Wagner e Rui Costa. A movimentação antecipa o cenário eleitoral e consolida o papel central da aliança petista no estado.

Sobre a sucessão estadual, Jerônimo confirmou que pretende disputar a reeleição e afirmou não haver outro nome colocado dentro do seu grupo político. Ele descartou especulações envolvendo Rui Costa e reiterou que a prioridade do governo é concluir o mandato com entregas administrativas e melhorar o desempenho eleitoral.

Ao comparar o atual cenário com as reeleições de Jaques Wagner e Rui Costa, o governador reconhece que ambos enfrentaram situações mais confortáveis nas pesquisas. Ainda assim, diz que sua força política está ancorada no apoio de prefeitos e lideranças locais e aposta no trabalho contínuo até o fim do mandato.

Jerônimo afirma que a disputa de 2026 tem um componente simbólico e diz enfrentar o “herdeiro do carlismo”, em referência a ACM Neto. Ele sustenta ainda que sua relação com Lula é de interdependência eleitoral e aponta a formação da chapa ao Senado como um dos principais desafios internos, diante do interesse de aliados, como o PSD.
Segundo o governador, as negociações, sobretudo com o senador Angelo Coronel (PSD), que pleiteia sua reeleição e seria descartado da chapa caso Rui dispute o Senado, seguem em andamento e buscam uma solução “ganha-ganha”, com prazo até março para um entendimento.

Ao longo do seu mandato até aqui, Jerônimo tem sido alvo de críticas da oposição relacionadas ao avanço da criminalidade na Bahia, ao atraso das obras da ponte Salvador–Itaparica e aos sucessivos pedidos de empréstimos aprovados pela Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA).

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