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Jerônimo e ACM Neto devem polarizar a Lavagem do Bonfim

Jerônimo e ACM Neto devem polarizar a Lavagem do Bonfim

Foto: Reprodução


Por Henrique Brinco

A Lavagem do Bonfim de 2026, marcada para hoje (15), em Salvador, vai servir, mais uma vez, como palco de leitura antecipada do cenário eleitoral que se avizinha na Bahia. Tradicionalmente um evento de fé e religiosidade, a festa também se tornou um termômetro político no estado, reunindo lideranças e oferecendo um primeiro contato com eleitores fora dos gabinetes e das pesquisas formais.

Para o governador Jerônimo Rodrigues (PT), a presença no cortejo — um bloco que percorre cerca de oito quilômetros entre a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia e a Basílica do Senhor do Bonfim — é uma oportunidade de demonstrar vigor político após a derrota do seu candidato à prefeitura de Salvador em 2024 e de iniciar a curva de ascensão rumo à reeleição em 2026. O petista tem mobilizado servidores públicos e aliados para fortalecer sua comitiva e sinalizar presença popular, numa tentativa de contrabalançar o desgaste recente nas pesquisas e afirmar sua capacidade de articulação no principal colégio eleitoral da Bahia, que concentra quase 2 milhões de eleitores.

Do outro lado, a oposição comandada por ACM Neto (União Brasil) chega com disposição de mostrar amplitude de apoio e coesão de alianças. O ex-prefeito de Salvador terá ao seu lado lideranças nacionais e regionais, incluindo o governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (União Brasil), e o prefeito Bruno Reis, cuja gestão municipal é vista como um contraponto ao atual governo estadual. A presença de Caiado não apenas reforça a projeção de ACM Neto no estado, como também insere a Bahia diretamente no tabuleiro de estratégias nacionais para 2026. E também deve servir para que o herdeiro carlista se distancie do nome do pré-candidato a Presidência, Flávio Bolsonaro (PL).

A lavagem é “o primeiro grande comício informal” do ciclo eleitoral, em que não há palanque, mas há disputa por espaço, avaliação popular e comparação de capital político, principalmente entre os dois polos que se desenham na corrida ao governo estadual.

No campo aliado a Jerônimo, há também toda uma expectativa sobre a participação do senador Angelo Coronel (PSD), que tem criado uma tensão interna: o pessedista tem enfrentado impasse na composição da chapa majoritária governista e, com isso, sua presença no cortejo — ou eventual ausência — pode ser interpretada como sintoma de desgaste ou desalinhamento na base aliada.
Além do embate entre os blocos de Jerônimo e ACM Neto, também são aguardadas as presenças de líderes como Jaques Wagner, Rui Costa e João Roma, que também devem concorrer a duas vagas à senatoria no próximo pleito.

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