Em entrevista à GloboNews, Lula afirmou que a independência do BC é ‘bobagem’. Campos Neto deu a declaração ao palestrar para uma universidade americana, em Los Angeles. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira (19) que o mercado seria muito mais instável se o Banco Central não fosse independente.
“Eu acho que o mercado seria muito mais volátil se o Banco Central não fosse independente”, disse.
A declaração foi dada após o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dizer em entrevista à jornalista da GloboNews Natuza Nery que a independência do BC é “bobagem”.
“Nesse país se brigou muito para ter um Banco Central independente, achando que ia melhorar o quê? Eu posso te dizer com a minha experiência, é uma bobagem achar que o presidente do Banco Central independente vai fazer mais do que fez o Banco Central quando o presidente era que indicava”, afirmou Lula na entrevista.
Campos Neto foi questionado sobre a declaração do presidente nesta quinta, ao palestrar para uma universidade americana, em Los Angeles.
Ao responder, ele disse que a declaração foi tirada de contexto, pois o que Lula teria dito é que a independência do BC não precisa estar na lei.
“Em algumas dessas entrevistas, muitas coisas são tiradas do contexto, porque se você olhar a entrevista, de um lado ele me elogiou, por outro lado, eu acho que ele quis dizer que você não precisa de independência na lei, você pode ter a independência sem a lei para fazer as coisas funcionarem”, respondeu Campos Neto.
“Se não houvesse a lei, você teria outro elemento de incerteza, que aumentaria a volatilidade das taxas de juros de longo prazo”, completou.
As taxas de juro de longo prazo são um importante sinalizador da confiança dos investidores na economia do Brasil. Quanto mais altas, mostram maior nível de desconfiança, além de indicarem que o país terá de pagar mais juros para financiar seu endividamento.
Autonomia do BC
A autonomia do Banco Central foi sancionada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2021, após aprovação pelo Congresso Nacional.
Até então, havia um acordo informal de o presidente da República não interferir na autoridade monetária, o que foi descumprido em alguns momentos, como no governo Dilma Rousseff (PT).
A intenção da lei que deu autonomia formal ao BC foi blindar a instituição de pressões políticas, dando-lhe liberdade para condução da política monetária.
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