Startups demitem em meio a cenário econômico desafiador

Startups demitem em meio a cenário econômico desafiador

Desde abril, pelo menos 10 startups cortaram seu número de funcionários. Essas dispensas vêm após um boom de crescimento nos últimos anos, em especial durante o auge da pandemia, que levou investidores a liberarem valores altos para as empresas.

No entanto, especialistas apontam um cenário de cautela por parte dos investidores diante dos desafios econômicos atuais no contexto global, como inflação, juros altos, queda no consumo, além da diminuição da demanda pelos serviços de tecnologia com o fim do isolamento social.

De forma geral, as startups justificam as demissões com ajustes, reorganização ou mudanças de prioridades.

Com menos recursos para o financiamento de novos ciclos de crescimento, as empresas acabaram optando por uma mudança de rumo que abrange revisão de projetos e contenção de despesas, que inclui os cortes com pessoal. E, pelo menos por enquanto, a priorização do ritmo de crescimento parece estar sendo substituída pela do foco em resultados sustentáveis.
Empiricus
O Grupo Empiricus anunciou um “corte planejado” de 12% do quadro de funcionários na segunda-feira (6). A empresa não informou o número exato de demissões, mas, de acordo com o jornal “O Globo”, podem passar de 70, levando em conta que o grupo emprega 600 pessoas.

A empresa informa que “a redução do quadro foi motivada, principalmente, pela identificação de sinergias entre as equipes que compõem o grupo (Empiricus Research, Vitreo, Real Valor, Money Times e Seu Dinheiro). O momento atual, de maior interesse em renda fixa, também ajudou a balizar a decisão”.

Grupo 2TM
O Grupo 2TM, dono do Mercado Bitcoin, demitiu 90 dos cerca de 750 funcionários no dia 1º de junho.

“A mudança do panorama financeiro global, alta de juros e da inflação vêm tendo grande impacto nas empresas de base tecnológica”, informou a empresa. De acordo com o anúncio, é preciso buscar uma nova equação de crescimento e investimento diante da nova realidade, com “ajustes que vão além da redução de despesas operacionais, tornando-se necessário também o desligamento de parte de nossos colaboradores”.

Para os funcionários desligados, foi oferecido um pacote de benefícios que vai de ajuda para recolocação no mercado até manutenção do seguro saúde por período determinado.
Favo
De acordo com o jornal “O Globo”, a empresa peruana Favo decidiu demitir 175 funcionários no início deste mês e encerrar as operações no Brasil. O g1 entrou em contato com a assessoria de imprensa da empresa, que não respondeu até a última atualização desta reportagem.

VTEX
No final de maio, a VTEX demitiu 193 funcionários. A decisão foi tomada como um julgamento estratégico sobre qual estrutura organizacional pode entregar as prioridades alinhadas ao ciclo orientado a um crescimento com mais eficiência.

A companhia informa ainda que segue com a expectativa de entregar seus planos de crescimento e que está comprometida a ajudar os funcionários impactados com recursos necessários para sua transição.

Olist
No final de maio, o Olist demitiu funcionários, justificando que o “ambiente macroeconômico desafiador catalisou movimentos já planejados de ajustes no quadro e ganhos de eficiência na operação como forma de sustentar uma agenda positiva de crescimento”.

A empresa não revelou o número de demissões, mas o jornal “O Estado de S. Paulo” mostrou na ocasião que o corte atingiu aproximadamente 150 funcionários. De acordo com comunicado da empresa, em 2021, o Olist cresceu de forma acelerada, com expansão de 3,5 vezes da receita, enquanto o quadro de colaboradores triplicou.
Pay Pal
Em maio, a PayPal demitiu funcionários. A empresa só confirma 16 pessoas desligadas, mas o jornal “O Globo” apurou que foram cerca de 60 colaboradores cortados. O número total de funcionários no Brasil seria de aproximadamente 400. Os cortes fazem parte de uma “reestruturação global”.

QuintoAndar
Em abril, o QuintoAndar demitiu 160 funcionários (cerca de 4% do total). A justificativa da empresa para os “ajustes no dimensionamento da estrutura de custos” é a antecipação ao mercado devido ao aumento da inflação e dos juros e às incertezas tanto no Brasil quanto no resto do mundo, que têm levado a uma desaceleração do ritmo de crescimento de vários mercados e a maior escassez de capital.

“Esse movimento nos levou a repriorizar alguns projetos com o objetivo de dar foco absoluto em iniciativas de impacto para a companhia”, diz a empresa.

Logo após as demissões, a empresa anunciou em maio a contratação de Larissa Fontaine como chief product officer e de Frederico Sant’ana como vice-presidente de soluções para imobiliárias para assumirem a liderança de duas áreas consideradas estratégicas pela companhia.

Loft
Em abril, a Loft demitiu 159 pessoas da área de crédito do grupo, após concluir a integração com a CrediHome. A maior parte das demissões foi nos setores comercial e de operações. Outros 52 funcionários, de produto e tecnologia, foram transferidos para outras empresas do grupo, como o próprio marketplace da Loft, a CredPago, Nomah e Vista.
De acordo com a empresa, mesmo após a reestruturação na área de crédito, o quadro de funcionários no setor está maior em relação a 2021, quando ocorreu a aquisição da CrediHome. Em setembro daquele ano eram 613 (somando os funcionários das duas empresas), e atualmente são 653 colaboradores, 6% maior após os desligamentos.

A empresa informou que iria apoiar os ex-funcionários na recolocação de mercado, por meio do fornecimento de três meses do serviço Premium do Linkedin, assim como extensão do plano de saúde por mais dois meses, inclusive aos dependentes.

Facily
Em abril, a Facily demitiu funcionários dentro de um plano de reestruturação. O jornal “Folha de S.Paulo” cita informações de ex-funcionários de que o número pode chegar a 200 demissões. Já o jornal “O Estado de S. Paulo” informa que o número varia entre 300 e 400 pessoas. O g1 entrou em contato com a assessoria de imprensa da empresa, que não respondeu até a última atualização desta reportagem.

Kavak
A startup mexicana também demitiu funcionários. De acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”, o número pode chegar a 150 pessoas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Entre as justificativas para as demissões estão reestruturação, momento da empresa e performance pessoal. A Kavak informou ao g1 que prefere não comentar.

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