Unicamp encerra vestibular 2022 com abstenção de 13,5% na 2ª fase; índice é o maior em três edições

Unicamp encerra vestibular 2022 com abstenção de 13,5% na 2ª fase; índice é o maior em três edições


Comissão registrou ausências de 1.752 entre os 12.938 aprovados para esta etapa, e vê ‘resultado compreensível’ no contexto sanitário. Primeira chamada de aprovados será em 14 de fevereiro. Candidatos durante a 2ª fase do vestibular 2022 da Unicamp
Gustavo Luiz/g1
A Unicamp encerrou a 2ª fase do vestibular 2022 com índice de abstenção em 13,5%, na tarde desta segunda-feira (10). O percentual é o maior em três edições e significa ausências de 1.752 estudantes entre os 12.938 aprovados para esta etapa. A comissão organizadora (Comvest), por outro lado, avalia que o resultado “è compreensível” em meio ao recrudescimento da pandemia e casos de gripe.
Veja abaixo como foram as provas e calendário do processo.
Abstenção vestibular
2022 – 13,5%
2021 – 8,8%
2020 – 10,9%
2019 – 14,3%
2018 – 12,3%
“Creio que os candidatos, candidatas, assim como a Comvest a colaboradores, atuaram de um modo muito responsável e sereno ao realizar essa prova no primeiro fim de semana após festas e explosão de casos de Covid-19. As pessoas tiveram a responsabilidade de utilizar as máscaras, equipamentos e informações disponíveis e determinadas pelas autoridades sanitárias”, falou o diretor da comissão, José Alves de Freitas Neto.
No primeiro dia da 2ª fase, o índice ficou em 12,7%. “O aumento de ontem para hoje explica-se por diversos fatores. O candidato que acha que não foi bem tende a não comparecer, é um histórico de todos os vestibulares. Foi um crescimento inferior a 1%, considero [resultado] que tem a ver com a Covid-19 e recomendações para não comparecimento caso tivessem sintomas”, completou o diretor.
A primeira chamada está prevista para 14 de fevereiro.
Diálogos em conteúdos
As provas desta segunda-feira estabeleceram diálogos entre conteúdos do ensino médio e uma série de assuntos da atualidade. Entre os destaques estão as abordagens sobre a violação de direitos humanos, as fake news ligadas à CoronaVac, um dos imunizantes aplicados no país contra a Covid-19, a diferença entre epidemia e pandemia, e desastres naturais na América Latina.
A universidade estadual aplicou para todos os candidatos uma prova comum formada por questões dissertativas de matemática, de ciências da natureza e de ciências humanas. Além disso, também houve uma avaliação de conhecimentos específicos conforme área de conhecimento pretendida.
Ao todo, 12.938 candidatos foram aprovados para esta etapa, e o índice total de abstenção será divulgado após o fim do vestibular, às 18h. As provas ocorreram em 22 cidades de seis estados.
Tensão entre Ucrânia e Rússia;
Independência do Haiti, protagonismo da população negra e impactos para o mundo;
A violação dos direitos humanos, com referências ao Massacre do Carandiru e à letra da canção “Haiti”, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, incluindo mudanças políticas entre 1960 e 1990;
Análise da pintura de Ismael Nery e o significado do modernismo no Brasil;
A relação entre água, temperaturas e plantas;
Probabilidade, função, e gráfico sobre áreas de conhecimento em publicações científicas;
Comparativo entre corpo nos períodos medieval e contemporâneo;
Divisão de Berlim;
Diferenciação entre pandemia, epidemia e sindemia;
Desastres naturais e urbanização na América Latina, incluindo comparativos de casos em Bogotá (Colômbia), Lima (Peru) e Santiago (Chile), com destaque sobre a frequência atrelada às concentrações urbanas;
Charge sobre celular e produção de lixo, e combustíveis do futuro;
Queimadas e efeitos sobre biomas brasileiros;
Fake news sobre a vacina CoronaVac, com uma abordagem sobre eficácia diante do surgimento de variantes e de que maneira se dá a produção de anticorpos;
Repercussão entre estudantes
O estudante Vitor Pereira, de 19 anos, planeja cursar engenharia química. Ao g1, ele contou que já faz o mesmo curso em uma universidade particular e elogiou o fato de a Unicamp abordar a questão da vacina contra Covid-19 no vestibular. “Ficar atento em temas como esse é super importante para a sociedade. Espero que dê tudo certo esse ano”, falou ao deixar a sala de prova na Unip, em Campinas.
O estudante Vitor Pereira, em Campinas
Gustavo Luiz/g1
Candidata ao curso de educação física, Michele Bertolini, de 37 anos, disse que se sentiu segura com os protocolos sanitários adotados pela Unicamp no vestibular. Ela ponderou que estudantes precisam ficar ligados em assuntos do cotidiano para realizar uma boa prova.
“Os protocolos sanitários estavam todos muito corretos. Tinha uma pessoa para acompanhar a gente e mantinha uma distância segura, álcool nos lugares, tudo certinho […] Acho a Unicamp muito bem antenada nos assuntos, a prova reflete isso”, falou.
A candidata Michele Bertolini, na 2ª fase do vestibular da Unicamp
Gustavo Luiz/g1
O técnico em química Fábio Hiago, de 22 anos, disse que a leitura de notícias foi importante para desenvolver uma das questões. Ele busca uma vaga em química. “Teve uma questão de hidrogênio verde [combustíveis no futuro] que só vi em reportagem”, salientou.
Candidatos ouvidos pelo g1 consideraram que o segundo dia de provas foi mais difícil do que o primeiro. No domingo, fizeram questões sobre língua portuguesa, literatura e responderam às perguntas interdisciplinares em inglês. Veja como foi.
O que diz a Comvest?
Segundo a comissão organizadora do processo seletivo (Comvest), não foram registrados incidentes. Além disso, ninguém precisou ser atendido pelo serviço de telemedicina por conta de sintomas gripais.
“Estamos muito satisfeitos com a aplicação da prova, os resultados obtidos do ponto de vista da logística e aplicação. Felizmente, nenhuma intercorrência […] creio que os candidatos, candidatas, assim como a Comvest a colaboradores, atuaram de um modo muito responsável e sereno ao realizar essa prova no primeiro fim de semana após festas e explosão de casos de Covid-19. As pessoas tiveram a responsabilidade de utilizar as máscaras, equipamentos e informações disponíveis e determinadas pelas autoridades sanitárias”, falou o diretor da comissão, José Alves de Freitas Neto.
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Conteúdo da prova desta segunda
Questão dissertativa: 4 pontos cada
Cada questão tem dois itens: 2 pontos cada item
Avaliação comum a todos os candidatos
Matemática: seis questões;
Ciências humanas (interdisciplinar): duas questões;
Ciências da natureza (interdisciplinar): duas questões;
Avaliações de conhecimentos específicos
Candidatos da área de ciências biológicas/saúde: seis questões de biologia e seis questões de química;
Candidatos da área de ciências exatas/tecnológicas: seis questões de física e seis questões de química;
Candidatos da área de ciências humanas/artes: seis questões de geografia e seis questões de história, englobando conteúdos de filosofia e sociologia;
Concorrência
O curso de medicina é o mais concorrido e, segundo a Comvest, há 11,36 candidatos por vaga oferecida. Ao todo, 977 estudantes estão na segunda fase do vestibular e disputam 86 cadeiras.
Em relação às notas de corte, a universidade separa os inscritos gerais, estudantes oriundos de escolas públicas e, ainda, os autodeclarados pretos e pardos. A nota máxima possível no exame é 72.
Cursos com maiores notas de corte: inscritos em geral
Medicina (integral): 62
Engenharia de computação (integral): 54
Ciência da computação (noturno): 52
Arquitetura e urbanismo: 49
Engenharia de produção (integral): 49
Engenharia química (integral): 49
Ciências biológicas: 48
Ciências econômicas (integral): 47
Comunicação social – midialogia (integral): 47
Engenharia de controle e automação (noturno): 46
Farmácia: 46
Calendário do vestibular
9 e 10/01/2022: aplicação de provas da 2ª fase
13 a 15/01: provas de habilidades específicas para arquitetura e urbanismo, artes cênicas, artes visuais e dança
14/02: divulgação da primeira chamada de aprovados no vestibular
15 a 17/02: matrícula on-line dos aprovados em primeira chamada
O calendário completo está disponível no site da Comvest
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