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Gastos com alimentação comprometem orçamento de 59% dos brasileiros, aponta pesquisa

Gastos com alimentação comprometem orçamento de 59% dos brasileiros, aponta pesquisa

Foto: Joá Souza/GOVBA

Por Marcos Vitório

O dinheiro que entra no início do mês nem sempre é suficiente para chegar até o próximo salário. Entre as compras de supermercado, as contas de casa e as despesas com moradia, o orçamento de muitas famílias fica cada vez mais apertado, especialmente nas últimas semanas do mês. A alimentação aparece como uma das principais fontes dessa pressão: 59% dos brasileiros entrevistados em uma pesquisa da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, apontam os gastos com comida e supermercado entre os que mais comprometem a renda.

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O problema não se resume ao valor pago nas compras. A necessidade de abastecer a casa com frequência, somada às demais despesas essenciais, reduz a margem disponível para lidar com imprevistos e pode levar ao atraso de contas ou ao uso do crédito para cobrir necessidades básicas. De acordo com o levantamento, 41% dos participantes consideram a terceira e a quarta semanas do mês os períodos mais difíceis para equilibrar as finanças. Outros 13% afirmam enfrentar dificuldades durante todo o mês.

Depois da alimentação, aparecem as despesas com moradia, aluguel ou financiamento, citadas por 40% dos entrevistados, e as contas domésticas, mencionadas por 32%. Ao todo, 28% relatam precisar cortar gastos, adiar pagamentos ou deixar despesas sem quitar dentro do mês por falta de dinheiro.

Ana Paula Santos, 34 anos, atendente de farmácia, conta que precisa redobrar a atenção na hora de fazer as compras para casa. “Quando vou ao supermercado, olho o preço de tudo e procuro as marcas mais baratas. Às vezes, a gente leva só o que é prioridade e deixa outras coisas para depois, porque o dinheiro precisa dar para o mês inteiro”, relata.

Necessidade diária

Para Rafaela Alves, especialista em educação financeira da Serasa, a alimentação tem um peso particular porque é uma necessidade diária e seus custos se acumulam ao longo das semanas. Segundo ela, muitas famílias não reservam, no início do mês, um valor específico para as compras de supermercado, o que dificulta acompanhar quanto já foi gasto e quanto ainda está disponível.

O planejamento financeiro, porém, já faz parte da rotina de boa parte dos consumidores. A pesquisa aponta que 75% afirmam organizar os gastos antes do início do mês com frequência. Entre os recursos utilizados, 46% recorrem a cadernos e anotações, enquanto 21% usam planilhas. Mesmo assim, o hábito de planejar não impede que o orçamento fique comprometido quando a renda é consumida pelas despesas básicas.

Uma das orientações para reduzir esse desequilíbrio é organizar o orçamento a partir das prioridades. Aluguel, alimentação, transporte, saúde e contas essenciais precisam ser considerados antes dos gastos que podem ser adiados. A partir dessa divisão, fica mais fácil identificar quais despesas permitem ajustes sem comprometer as necessidades da família.

No supermercado, o controle começa antes de sair de casa. Definir um limite de gastos e preparar uma lista com os produtos realmente necessários são medidas que ajudam a evitar compras por impulso. Também é possível comparar preços, avaliar marcas alternativas e substituir produtos quando houver opções mais econômicas, desde que a mudança não prejudique a qualidade e as necessidades alimentares da família.

Recomendação

Outra medida é acompanhar as despesas durante todo o mês, e não apenas nos primeiros dias. Registrar as compras e verificar o saldo disponível semanalmente permite perceber com antecedência quando os gastos estão ultrapassando o planejado. A recomendação ganha importância diante do dado de que 41% dos entrevistados sentem mais dificuldade para manter as contas em dia na terceira e na quarta semanas.

Quando o dinheiro não é suficiente, parte dos consumidores recorre ao cartão de crédito. O levantamento mostra que 28% utilizaram esse recurso para cobrir despesas em momentos de insuficiência financeira nos últimos 12 meses. Ao mesmo tempo, a fatura do cartão foi a conta mais citada entre os compromissos que deixaram de ser pagos por falta de recursos, mencionada por 25% dos participantes.

O uso do crédito para comprar alimentos ou pagar outras despesas essenciais pode aliviar uma dificuldade imediata, mas também comprometer a renda dos meses seguintes. Antes de parcelar uma compra ou recorrer a um empréstimo, é importante avaliar o custo da operação, as condições de pagamento e o impacto das parcelas sobre o orçamento futuro. Quando há risco de não conseguir pagar a fatura integral, acumular novas despesas no cartão pode agravar o problema.

“Usar o cartão sem esse cuidado pode resolver o aperto em um mês, mas criar um problema maior no mês seguinte”, alerta Rafaela.

Camila Oliveira, 29 anos, auxiliar administrativa, diz que mudou os hábitos de consumo para tentar economizar. “Hoje, pesquiso mais os preços e comparo as marcas antes de comprar. Também evito levar coisas de que não preciso naquele momento. São pequenas mudanças, mas ajudam a controlar os gastos e fazer o dinheiro durar um pouco mais”, conta.

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